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Conscientização desta problemática do centro preferido
Karla Abreu T.

Os três centros

Quem conhece o Eneagrama já ouviu falar dos três centros e de como cada um deles funciona. Vamos fazer aqui uma rápida revisão.

O centro instintivo é o centro da ação e/ou de não-ação. Preocupa-se com a sobrevivência física e psicológica e, a fim de as manter, tenta guardar o controlo. Procura responder à pergunta: Como? Como fazê-lo? Ele vive uma problemática à cólera logo que as coisas ou as pessoas escapam ao seu controlo.

O centro emocional é, como o seu nome sugere, o das emoções. Estas emoções são efémeras e voláteis, variando de um momento para o outro; por isso se "eu sou" as minhas emoções e elas mudam a todo o instante, como posso encontrar a minha identidade? Ele tenta descobrir quem ele é e o que ele é para os outros e responder à pergunta: quem? Quem sou eu? Por conseguinte, vive uma problemática à identidade e imagem.

O centro mental é o da lógica, da racionalidade. Considera que o mundo deve ser inteiramente explicável e previsível pela razão e lógica. Procura responder à pergunta: porquê? Vive uma problemática ao medo logo que o mundo lhe seja incompreensível e inexplicável.

Os eneatipos e a problemática do centro preferido

Cada eneatipo, antes de começar um trabalho de desenvolvimento pessoal (e conseguir tomar consciência ou até distanciar-se dos seus automatismos egóticos), está mais ou menos consciente deste problema.

No centro instintivo1:

  • 8 está plenamente consciente da sua cólera, e exterioriza-a facilmente e regularmente. Alguns dizem mesmo que a cólera os carrega de energia. Mesmo que o impacto da sua cólera sobre os outros nem sempre seja avaliado, ela está, portanto, plenamente conscientizada.
  • 1, devido à sua compulsão, evita a cólera e, mais ou menos conscientemente, dissimula-a por detrás do seu mecanismo de defesa, mostrando-se afável e atencioso. Mesmo que seja frequentemente percebida pelos outros, a sua cólera é na maior parte das vezes contida.
  • 9 tem muito pouco acesso aos seus ânimos, a fim de evitar o mínimo conflito e de não perturbar a sua tranquilidade interior. Ele não está, portanto, consciente das suas sensações e emoções e, além de algumas explosões muito raras que o surpreendem a ele-próprio, a sua cólera é reprimida.

No centro emocional:

  • 4 orgulha-se da sua diferença e procura desde muito cedo responder à pergunta "quem sou eu"? Mesmo que nem sempre esteja consciente da imagem idealizada que tem de si próprio, a sua problemática à identidade é, portanto, plenamente conscientizada.
  • 2 acredita que, para ser amado, deve ser devotado aos outros e às suas necessidades. Ele sabe que também tem necessidades e desejos, mas coloca as necessidades dos outros à frente das suas para manter a sua imagem de pessoa amorosa e dedicada. Por vezes expressa as suas necessidades em breves explosões de lágrimas e cólera. A sua problemática à identidade é, portanto, contida.
  • 3 procura constantemente adaptar-se ao ambiente e às pessoas com quem se encontra. Diz-se que ele é o camaleão do eneagrama. A menos que se encontre numa grave crise existencial, não procura saber quem é realmente, e nem sempre está consciente da mudança de uma personagem para outra. Ele está totalmente na imagem e a sua problemática à identidade é reprimida.

No centro mental:

  • 6, para além dos períodos de contra-fobia, está na maior parte do tempo consciente do seu medo, mesmo que nem sempre ela tenha um objeto preciso. O seu vocabulário está repleto do campo léxico do medo, da ansiedade e da preocupação. A sua problemática ao medo é, portanto, conscientizada.
  • 5 está por vezes consciente deste medo (cf. porta de compensação do eneatipo), mas enterra-o sob uma acumulação de conhecimentos, racionalidade e lógica. Ele tenta explicar o mundo para torná-lo menos assustador e mais previsível. O seu medo é, portanto, contido.
  • 7 evita o menor sofrimento e vai ignorar qualquer emoção negativa que possa estragar as suas experiências e aventuras. Embarca-se em múltiplas fontes de prazer sem ter consciência de que está a ser conduzido pelo medo da falta e do encerramento. Portanto, o seu medo é reprimido.

Chegamos assim a este quadro:

Centros / Problemáticas Conscientizada Contida Reprimida
Instintivo / Cólera
8
1
9
Emocional / Identidade
4
2
3
Mental / Medo
6
5
7

Posicionados sobre o símbolo do Eneagrama, obtemos esta figura, que designaremos aqui como tríades da autoconsciência:

Tríades da autoconsciência

O que podemos observar é que os únicos eneatipos que já se encontram juntos numa tríade são os 468 que também formam a tríade harmónica encontrada em Riso e Hudson2 e que eles chamam «reativos»; David Daniels3 agrupa-os sob o nome de «expressivos». No entanto, parece coerente que os eneatipos mais conscientes da sua problemática sejam também os mais aptos a expressar as suas necessidades e desconforto e a serem os mais reativos.

Referências

[1] Estagio « Ennéagramme : Résilience ».
[2] Don Riso e Russ Hudson. A Sabedoria do Eneagrama. São Paulo (Brésil), Cultrix, 2003.
[3] David Daniels, The Enneagram triads.